Gato de Botas


Boa tarde!

O personagem Gato de Botas se popularizou depois da participação no filme Shrek, muitas pessoas só o conhece por causa do filme, mas a história do Gato que calça botas é antiga, e a origem é francesa.

O conto do Gato de Botas (Le Maître Chat ou Le Chat Botté) foi escrito pelo francês Charles Perrault (1628-1703), que também é conhecido como pai da Literatura Infantil. A primeira versão conhecida do Conto de Fadas  é datada de 1695, dois anos antes do lançamento de uma coletânea de oito histórias de Perrault chamada “Os Contos da Mamãe Ganso“, que incluía a história do gato.

Primeira versão escrita e ilustrada em 1695 .

Porém Charles Perrault não foi o inventor da figura do gato malandro e esperto. Em 1553, foi publicado em Veneza (Itália) por Giovanni Francesco (1480 – 1558) uma história semelhante, assim como escrito por Giambattista Basile (1566-1632) e publicado em 1634. Contam que a inspiração do Gato de Botas que conhecemos hoje foi inspirado na obra de Giambattista Basile.

Muitas outras obras da época retratam a história do gato, variações aparecem mundo afora.

A autoria do conto é, algumas vezes, atribuída à Pierre Darmancour, que é filho de Charles Perrault, graças à uma dedicatória “P. Darmancour” que está no “Os Contos da Mamãe Ganso” de 1967.

Edição L. Curmer de 1843

A HISTÓRIA

O Gato de Botas de Charles Perrault

Um gato travesso com toda a gataria calçou bota e foi ao rei levar presentes certo dia. Seu dono era bem pobre.

Só tinha um belo olhar e um belo porte.

Mas o Gato de Botas transformou sua vida e sua sorte.

Um gato travesso com toda a gataria calçou bota e foi ao rei levar presentes certo dia. Seu dono era bem pobre.

Só tinha um belo olhar e um belo porte.

Mas o Gato de Botas transformou sua vida e sua sorte.

Há muito tempo, um velho moleiro, que tinha trabalhado a vida inteira, chamou seus três filhos e distribuiu entre eles tudo o que possuía. Entregou o moinho ao mais velho, deu o burro para o segundo e para o terceiro, que era o caçula, sobrou só o gato.

Quando os três filhos ficaram sozinhos, o mais velho combinou viver e trabalhar junto com o segundo irmão. Ele podia fazer farinha no moinho e o outro iria vendê-la na cidade, com o burro.  Mas o caçula, que só tinha um gato, era melhor que fosse embora com ele, pois para nada servia. O caçula ficou muito triste, mas concordou:

– Vocês tem razão. O mais que posso fazer com um gato é comer uns bifes e usar a pele para um gorro.

Depois fez sua trouxa e pôs-se a caminho, levando o gato. Não sabia para onde ir. Andou durante muito tempo. Quando se cansou, sentou-se num tronco caído, para pensar.

– Meu amo! Poderei ser-lhe mais útil vivo que morto. Arranje-me um par de botas para andar no bosque e um saco. Você vai ver do que eu sou capaz.

O rapaz estranhou o pedido, mas arranjou as botas e o saco para o gato.

– Quero só ver o que um gato pode fazer com isto – pensou.

O gato assim que recebeu o que pedira, saiu depressa, cantando alegremente.

Enquanto caminhava em direção ao bosque, o gato ia fazendo seus planos. Seria difícil imaginar um gato mais esperto do que aquele. Seu dono nunca poderia adivinhar o que ele pretendia fazer.

Chegando ao bosque, o gato pôs no chão o saco bem aberto e dentro jogou uns pedacinhos de pão. Depois deitou-se e ali perto, fechou os olhos e fingiu de morto. Dali a pouco uma lebre se aproximou e foi comer o pão. Entrou no saco e … zás! Num piscar de olho o gato puxou os cordões, fechando o saco, colocou-o ao ombro e correu ao palácio do rei.

– Majestade, venho trazer-vos esta lebre, que meu amo e senhor, o Marquês de Carabás, caçou especialmente para vós.

O rei agradeceu o presente e mandou o cozinheiro preparar a lebre para o jantar.

Nos dias que se seguiram, o gato tornou a levar ao rei vários presentes do Marquês de Carabás: lebres, codornas, coelhos, faisões.

O gato chegava ao palácio e fazendo uma grande reverência, entregava ao rei a caça do dia:

– Majestade, eis aqui duas perdizes, que vos envia meu amo, o marquês de Carabás!

O rei ficava encantado. Estava cada vez mais curioso para conhecer o Marquês de Carabás, que o presenteava tanto. Os próprios cortesãos perguntavam uns aos outros quem era o tal marquês. E o rei pensava:

– Se é tão bonito quanto é bom caçador, se é tão rico como esplêndido senhor, da minha filha eu lhe darei a mão e o amor!

Um dia o gato soube que o rei ia dar um passeio de carruagem com a filha. Levou o amo até um lago que ficava perto da estrada por onde o rei deveria passar e quando a carruagem se aproximava, mandou o dono despir-se e entrar na água.

– Mas, que é isso, gato? Você perdeu o juízo?

– Depressa, meu amo, depressa! Faça o que lhe digo e não se arrependerá!

O rapaz não teve outro jeito senão obedecer. Tirou a roupa e pulou para dentro da água.

A carruagem do rei já estava perto e o gato começou a gritar:

– Socorro! Meu amo está se afogando! Socorro, Majestade!

Ilustração de Gustave Doré

 O rei ordenou que parasse e que seus guardas tirassem o marquês de dentro do rio. O gato agradeceu ao rei e disse:

– O pobre marquês . . . foi atirado ao rio por dois bandidos . . . que lhe roubaram.

O rei então a um de seus servos que corresse ao palácio e trouxesse o traje mais bonito de seu guarda-roupa.

O furto da roupa era mais uma invenção do gato. É claro que o Marquês de Carabás não poderia apresentar-se vestido com as roupas pobres de um moleiro . . .

Quando o servo chegou com o belo traje do rei, o rapaz vestiu-se e aproximou-se da carruagem. Inclinou-se numa reverência e agradeceu ao rei por tê-lo salvo.

A princesa pediu ao pai que convidasse o Marquês de Carabás para entrar na carruagem e continuar o passeio com eles.

O rapaz aceitou o convite e o rei vendo que a filha se interessava pelo moço, começou a pensar:

– Um marquês desconhecido! Preciso saber quem ele é e também se é rico.

Enquanto isso o gato correra na frente e já estava longe.

 Ao encontrar camponeses trabalhando a terra o gato ordenou em voz grossa:

– Se alguém perguntar de quem são estas terras, digam que pertencem ao Marquês de Carabás. Se não responderem assim, eu os picarei em pedacinhos e farei salsicha de vocês!

Ilustração Gustave Doré

Daí a pouco chegou a carruagem do rei. Os camponeses o saudaram e ele perguntou de quem eram aquelas terras.

– São do Marquês de Carabás!

O rei olhou admirado para o rapaz, que disse modestamente:

– É apenas um campo que quase não dá lucro, não dá nem para comprar os cartuchos para minha espingarda!

O rei cada vez mais admirado com a riqueza do marquês e não parava de cumprimentá-lo.

O gato, entretanto, continuara a correr e chegara a um castelo. Com a maior cara de pau, bateu à porta:

– Quem é – perguntou o guarda.

– Pode dizer-me de quem é este castelo?

– É de um terrível feiticeiro! – respondeu o guarda. – É melhor você ir andando, porque hoje ele espera hóspedes para um banquete.

O gato insistiu:

– Não posso passar por aqui sem parar para ver seu patrão. Pode anunciar-me: sou o gato do Marquês de Carabás e quero cumprimentá-lo.

– Um gato! Que visita estranha! – disse o feiticeiro, que era muito vaidoso. E mandou-o entrar, pensando que o gato viesse prestar-lhe homenagens.

 Aproxime-se! – ordenou o feiticeiro ao gato. – Vejamos se consegue me agradar.

Ilustração Gustave Doré

– Que bela barba o senhor tem! – exclamou o gato. – E que barriga tão gorda!

– Bravo, gato! Você sabe fazer elogios. E agora, o que tem para me dizer?

– Ouvi falar que … mas não é possível … não acredito … que o senhor é capaz de se transformar num leão!

– Oh! As más línguas … Mas, se o senhor me der uma prova de seu poder.

– Claro. Posso me transformar no que quiser – respondeu o feiticeiro.

Um … dois … três! O feiticeiro se transformou num enorme leão. O gato teve tanto medo, que até suas botas tremeram. Mas acalmou-se e disse:

– Muito bem, muito bem! Mas deve ser fácil virar leão. O senhor é grande e o leão também é . . . Não vejo dificuldade nisso!

– Posso virar qualquer coisa, já disse! Até uma coisinha bem pequena!

– Não é possível – retrucou o gato. – Ainda mais porque agora o senhor já deve estar cansado!

– Sou um feiticeiro e os feiticeiros não se cansam. Pode escolher qualquer bicho e me transformarei nele.

O gato que era muito esperto, pediu ao feiticeiro que virasse um ratinho bem pequeno.

– Isso é fácil – disse o feiticeiro. Fique olhando: um, dois e três! O feiticeiro, grande como era, virou um ratinho.

 O gato, não perdeu tempo: num instante pegou o ratinho e comeu. Livre do feiticeiro, o gato percorreu o castelo, dizendo:

– O feiticeiro morreu. O novo dono do castelo é o Marquês de Carabás. Guardas! Servos! Cozinheiro9s! Preparem-se para receber o Marquês de Carabás e Sua Majestade o rei, em pessoa!

– O feiticeiro morreu. O novo dono do castelo é o Marquês de Carabás. Guardas! Servos! Cozinheiro9s! Preparem-se para receber o Marquês de Carabás e Sua Majestade o rei, em pessoa!

O banquete que o feiticeiro ia oferecer aos amigos, será servido ao rei, – continuou o gato.

– Depressa! A carruagem real se aproxima!

De fato, exatamente naquele momento a carruagem do rei passava pela frente do castelo. O gato correu à estrada e disse:

– Sua Majestade seja bem vindo ao castelo do Marquês de Carabás!

– Oh! Meu caro marquês, não sabia que o senhor possuía também um castelo!

– Para dizer a verdade, nem eu! – respondeu o rapaz.

– Tem um lindo castelo! – disse-lhe o rei – bem construído e belo!

O moço em confusão, pensava quieto:

– Isso é coisa do gato, por certo!

– É mais lindo que o nosso – disse a princesa!

– Não é meu, doce princesa! Sou um pobre sonhador. Tenho castelos nas nuvens. Mas estes não tem valor.

– Ai, ai, ai, ai … disse o rei! Um disse que é do Marquês, outro diz que não é! Ou me falam a verdade ou mando enforcar os dois, antes do cair da tarde.

– Realmente senhor, eu menti – disse o gato – peço perdão majestade. Eu juro que nesse instante, contarei toda a verdade.

– Há muitos e muitos anos atrás, o gigante roubou todas as terras dos avós desse rapaz. Mas graças a minha astúcia, posso-lhe afirmar nesse instante.

Tudo agora é do meu amo. Pois já comi o gigante!

– Viva! Então, Gato de Botas, condecorado serás, porque livraste o meu reino do gigante feiticeiro – disse o rei – Quanto a ti, belo mancebo, pela sua honestidade, a partir desse momento, será marquês de verdade.

 – Para alegria de todos, dou a mão de minha filha – completou o rei!

E assim termina a história desse gato que foi de fato o mais esperto que houve.

Gato de Botas que levou sua história a tão bom fim.

Feliz de quem tiver um gato assim!

MORAL

Não desanime, mesmo quando a situação não é das melhores, utilize  inteligência e esperteza para achar a melhor solução para os problemas.

Há diversas interpretações da moral desta história, inclusive dizem da moral ambígua, pois o gato usou da sua esperteza para ajudar seu amo de modo ilícito, mentindo.

E para quem se interessar, nesse link AQUI, tem uma explicação da moral que achei detalhada e perfeita!

O FILME

No filme “Shrek 2” o Gato de Botas aparece pela primeira vez, com a missão de matar Shrek a mando do Rei Harold (pai da Princesa Fiona), porém o Gato acaba se juntando ao grupo e ajudando Shrek a se reconciliar com Fiona.

Com referência ao personagem Zorro, o Gato de Botas, usa capa, chapéu e tem sotaque Latino ( o dublador do personagem é Antonio Banderas).

O Gato até ganhou seu próprio filme, onde mostra sua origem. Ele, o Humpty Dumpty e a Kitty Pata Mansa tem planos de roubar os feijões mágicos de João e Maria, para roubar os ovos de ouro, e mais do que isso, o Gato de Botas quer limpar sua honra.

A participação do Gato de Botas nos filmes do Shrek foi ótima, afinal quem não soltou um “ooowwn” na cena dos olhos pidões do gato? Mas seu próprio filme deixou muito a desejar.

ETC



E para matar a saudade o Conto de Fadas programa que passava na TV Cultura.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Espero que tenham curtido saber mais sobre este personagem de Contos de Fadas que ficou mais conhecido depois do filme Shrek 2.

Caso tenha alguma nova informação, ou apenas gostou do post deixe seu comentário.

Beijos,

Anúncios

Sobre Sora 空

Paulistana, 30 anos, tem 70 gatos em casa.

Publicado em outubro 9, 2012, em Uncategorized e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Eu lembro de quando eu era pequena e a gente tinha LPs de histórias e tinha a do Gato de Botas! Era uma das que eu mais gostava de ouvir! =)

    muito bom o post, como sempre ^^
    =*****

  2. I’ve been absent for a while, but now I remember why I used to love this site. Thank you, I’ll try and check back more frequently. How frequently you update your site? fkkfbecdcgda

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: